Estudantes trocam o igarapé pela Internet no Acre
O rio que passa no costado da Escola Iricélia Cobanellas Zanini, no município de Assis Brasil, Acre, na fronteira com o Peru, é rio no inverno, mas se transforma num igarapé no verão, onde os alunos brincam. Agora o rio está perdendo para o computador. Os 627 estudantes da escola de ensino médio e fundamental não saem da Internet, provocando ciúmes na outra escola da cidade, Simon Bolívar (de educação infantil), e nas 14 pequenas escolinhas da zona rural.
O frenesi em torno da Internet em Iricélia ocorre porque só ela possui computador e laboratório de informática. Assim que o governo federal instalou a parabólica e permitiu o acesso à rede mundial, o MEC gastou uma semana treinando professores da escola e outras pessoas da comunidade para o melhor aproveitamento dos recursos da Internet. “Professores e membros da comunidade redigiram um documento estabelecendo regras para uso da antena, definindo que todos podem utilizar seus benefícios”, explica a diretora do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE/MEC) em Rio Branco, no Acre, professora Antônia Damasceno Vasconcelos de Freitas. Os benefícios, segundo ela, não se restringem a consultas e pesquisa à Internet. Membros da escola e da comunidade já possuem até mesmo e-mails próprios. Costumam visitar a escola para passar e receber e-mails, mas também para consultar e transmitir informações referentes ao Instituto Nacional de Securidade Social, preencher formulários do Imposto de Renda. “A comunidade está perdendo o receio do computador e, para isso, fazemos um acompanhamento do processo”, diz a professora. “Os alunos ganham seu próprio e-mail e, em breve, a escola terá sua página”.
O estado do Acre receberá, até o final do ano, sete antenas parabólicas do programa de inclusão digital do Governo Federal. Três já foram instaladas, nos municípios de Assis Brasil, Manoel Urbano e Porto Acre. Até o final de dezembro outras quatro aterrissarão em Feijó, Jordão, Marechal Taumaturgo e Porto Walter. Parabólica na aldeia – Não fosse os índios Fulni-ô, em Pernambuco, terem-se fechado na aldeia, em setembro, para uma espécie de retiro anual, o ouricuri, que dura até o Natal, a tribo teria visto de perto pela primeira vez uma antena parabólica. Segundo a diretora do Departamento de Tecnologia na Educação de Recife, Sônia Sette, os técnicos da prefeitura e do MEC planejavam instalar a antena já, para dar acesso imediato a Internet à escola da aldeia, situada na área de Águas Belas, município 311 quilômetros a Oeste de Recife – e próxima de Garanhuns, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criado. “Durante o ouricuri, eles não mantém contato com o homem branco. Sendo assim, só poderemos instalar a antena a partir de janeiro”, conta Sônia.
A reação dos indiozinhos e também de seus pais deve ser parecida com a verificada na maioria dos 43 municípios pernambucanos onde 82 parabólicas “de internet” já foram instaladas: espanto e alegria. Assim que o fizerem na aldeia, será uma pequena revolução.
(Rubens Amador)
