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Entrevista – Ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano da Silva

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Repórter – Juliana Caldas

Por que o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar está atuando na área de inclusão digital?

Há duas razões fundamentais para o MESA apoiar o projeto de implantação dos Telecentros. O primeiro é que nós entendemos que o analfabetismo da próxima década será exatamente o daquelas pessoas que não souberem manusear o computador e, principalmente, não puderam ter acesso à internet. A segunda razão é que a experiência mostra que a informatização e o uso da informática como instrumento de rotina de trabalho depende muito da ação do poder público. Exemplo disso é que boa parte das pessoas aprendeu a utilizar o computador, forçados pela necessidade de fazer a declaração do imposto de renda.

Como a informática poderá influenciar no trabalho realizado pelo Fome Zero junto aos municípios?

Hoje, temos um problema grande de comunicação com boa parte das cidades do semi-árido, pois elas não têm infra-estrutura de computadores, de informática e, principalmente de telecomunicações. É difícil manter contato constante e regular, por exemplo, com os nossos comitês de controle social implantados em todos os municípios, sem que eles tenham acesso à internet, instrumento que permite, por exemplo, acessar a listagem de pagamento dos beneficiários e, acima de tudo, permite que os interessados tenham acesso a informações e notícias do governo, de outros projetos e de outros ministérios.

A informática aproxima o cidadão do Estado?

Cada vez mais o relacionamento do cidadão com o estado é feito por meio da informática, que permite transparência, que permite agilidade e rapidez e que dá segurança nessa relação do cidadão comum com o poder público central, sem necessidade de intermediários, sem necessidade do tradicional despachante, sem necessidade do tradicional favor político ou intermediação política. Isso faz da informática um elemento essencial para todos os ministério. O MESA, por exemplo, quer estabelecer um padrão de relação direta com a população. Nós queremos passar o benefício diretamente para a população, sem intermediários. E a informática é um instrumento muito importante nesse trabalho.

Como os telecentros irão funcionar na prática?

Cada cidade terá um número determinado de acessos à internet. Vamos ter uma sala disponibilizada pelo poder local, ou por uma ONG ou igreja. Há várias possibilidades, como um conjunto de computadores ligados a um servidor que vai acessar a internet. O serviço estará aberto não só aos membros do poder público, mas, também às pessoas da comunidade. A idéia é de se conseguir, principalmente com os jovens, criar um canal não só de entretenimento, mas, também, de aprendizado.