Programa de inclusão digital amplia comunicação no Amazonas (Entrevista com Mônica Nascimento, Administradora Estadual do GESAC no Amazonas)
1ª Capacitação - abr/2006 2ª Capacitação - ago/2006
Para intensificar a inclusão digital e ampliar as oportunidades de comunicação no Amazonas, o Ministério das Comunicações conta com a parceria do governo daquele estado. Atualmente, o Programa GESAC (Governo Eletrônico –Serviço de Atendimento ao Cidadão) já conta com 92 Pontos de Presença naquela região, sendo 32 em escolas estaduais, 49 em organizações militares e 11 em instituições civis organizadas.
Além de ampliar o acesso à internet banda larga (conexão em alta velocidade) em todo o país, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, busca parcerias como essa para ampliar o programa de Inclusão Digital do Ministério.
Veja a entrevista realizada com Mônica Nascimento, Administradora estadual do GESAC no Amazonas.
Pergunta: Desde quando você está trabalhando nesse projeto de inclusão digital do Governo do Estado do Amazonas em parceria com o GESAC?
Mônica: Assumimos a administração do Programa Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão - GESAC em novembro de 2005.
Pergunta: Quais as principais dificuldades detectadas no início do trabalho?
Mônica: Junto com as Implementadoras Sociais do GESAC no estado do Amazonas, detectamos uma série de situações difíceis do tipo: desconhecimento das atividades do Programa GESAC, por parte da equipe técnica pedagógica da escola; falta de capacitação aos professores, alunos e equipe pedagógica no uso dos serviços do portal idbrasil; falta de acompanhamento das ações e projetos das escolas; falta de registro de usuários do Ponto de Presença; desconhecimento da utilização de informática como recurso pedagógico, pela maioria dos professores; pouca abertura do laboratório de informática com acesso à internet para a comunidade vizinha à escola; falta de suporte técnico e outros.
Pergunta: Qual foi a sensação diante desse quadro?
Mônica: Percebemos logo que assumir um programa totalmente desestruturado numa capital como a nossa – imensa e de difícil acesso – e colocá-lo para funcionar seria um grande desafio! Algo bem difícil, mas não impossível. Analisamos caso a caso, nos organizamos e realizamos o que foi possível.
Pergunta: Quais foram as principais ações desenvolvidas pela equipe?
Mônica: Começamos separando as escolas em dois grupos: aquelas com apenas uma máquina, instalada na secretaria ou na diretoria sem nenhum acesso à comunidade escolar e não escolar, daquelas que tinham Laboratório de Informática. Depois partimos para a capacitação dos administradores dos Pontos de Presença, a começar pelos 14 municípios em que as escolas tinham apenas uma máquina. Criamos a figura do agente multiplicador para responder pelo Ponto de Presença. Além de articular uma política de utilização da internet e divulgação do Programa GESAC, o agente multiplicador deveria formar o Conselho Gestor para disponibilizar o acesso da comunidade escolar e não escolar aos serviços do Ponto de Presença. Entregamos a cada escola um kit tecnológico, com um computador completo, um estabilizador, um softphone e uma impressora Lexmark e formalizamos o Plano de Ação de cada ponto, que é encaminhado mensalmente para monitorarmos as ações desenvolvidas por cada município.
Pergunta: Qual foi a avaliação que você faz desse trabalho?
Mônica: Como primeira experiência foi um sucesso porque todos esses municípios são de difícil acesso e muito carentes de assistência. Então, receber um computador e disponibilizá-lo na biblioteca foi um estímulo para potencializar as atividades do Programa GESAC nessas escolas. A comunidade, certamente, recebeu bem a nossa iniciativa.
Pergunta: E nos outros municípios, como foi o trabalho de capacitação?
Mônica: A capacitação para os administradores dos pontos de presença dos municípios que tinham Laboratório de Informática seguiu com a mesma temática. Expandimos a questão da inovação do VoIp – telefone via Internet – e o IP/TV com apoio da TV Escola, que nos cedeu um vídeo sobre a Amazônia.
Pergunta: Quais as dificuldades encontradas no trabalho de capacitação?
Mônica: As dificuldades foram muitas, pois trazer para a capital os representantes dos 31 municípios do estado foi um grande desafio. Para se ter noção existem vôos de duas horas e cinqüenta minutos dentro do nosso Estado para chegarmos a um único município. Isso é o mesmo trajeto de Manaus para Brasília. Fretar avião é muito caro, mas todas essas dificuldades não nos impediram de realizarmos nossos projetos, porque o Secretário de Educação e Qualidade de Ensino, Professor Gedeão Timóteo Amorim, foi um grande parceiro na viabilização da consolidação de nossas ações. Por isso conseguimos trazer todos os representantes dos municípios (em duas etapas de formação) e estruturamos nossos administradores junto às escolas estaduais, pois temos consciência de que são eles que conhecem melhor a realidade onde vivem e a troca de experiência durante a formação foi muito gratificante.
Pergunta: O que mudou depois das capacitações?
Mônica: Tudo isso causou um entusiasmo muito grande, pois a comunicação é totalmente precária em nosso estado e ter um telefone via internet para facilitar a comunicação entre os Pontos de Presença foi maravilhoso! Até hoje temos muitas trocas de informações via telefonia VoIP. Outra coisa importante é que a população começou a compreender o que é o programa GESAC e isso tomou uma proporção de inclusão tão grande que hoje recebemos até denúncias de comunitários se o Ponto de Presença não abre cedo ou se há alguma irregularidade de uso. A própria comunidade fiscaliza isso junto à escola.
Pergunta: Depois de um ano de trabalho, qual a avaliação que você faz do programa de inclusão digital no estado?
Mônica: Atualmente nossa realidade é outra, pois muita gente já conhece e se beneficia dos serviços do programa GESAC no Amazonas. Isso é maravilhoso e gratificante, pois é uma resposta ao trabalho conjunto da Secretaria de Educação do estado, com apoio do professor Gedeão Timóteo Amorim, e das implementadoras sociais do Ministério das Comunicações, Ivete Belém e Izabel Dias.
Pergunta: Quais os projetos que há no estado em parceria com o GESAC?
Mônica: São três projetos grandiosos: três ações de inclusão digital com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas, um com a Secretaria de Planejamento do estado e um com o Colégio Militar de Manaus, além de um Sistema Informatizado de Gestão Escolar on line em seis municípios.
Pergunta: Você poderia falar um pouco sobre cada um desses projetos?
Mônica: Em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas, temos o CETAM DIGITAL que dá aos alunos e professores da rede estadual de ensino a oportunidade de explorar todo o potencial da internet para a melhoria e enriquecimento do processo ensino-aprendizagem e sua inclusão na rede mundial de informação; o REDE CIDADÃ DIGITAL que permite às pessoas da comunidade o aprendizado necessário para navegar e interagir no mundo digital, como consumidor e produtor de seus conteúdos e processos; e os CURSOS TÉCNICOS DE INFORMÁTICA que são voltados para a qualificação técnica de jovens que possuem o ensino médio.
Pergunta: Qual é o projeto realizado em parceria com a Secretaria de Planejamento?
Mônica: É o PROJETO AMAZONAS DIGITAL, uma rede municipal de comunicação conectada via satélite com a capital. O objetivo da rede é facilitar a implantação dos processos de modernização do governo estadual, democratizar o acesso aos dados do Estado e facilitar a comunicação dos municípios entre si e com a capital.
Pergunta: E o projeto com o Colégio Militar de Manaus?
Mônica: É o projeto de Educação a Distância do Colégio Militar, que oferece a Educação Básica de qualidade aos filhos e dependentes de militares que sofrem as conseqüências educacionais das freqüentes movimentações e deslocamentos exigidos pela atividade militar. Hoje são 11 pelotões de fronteira que se beneficiam com o projeto, sendo sete em São Gabriel da Cachoeira e quatro em Tabatinga. Uma parceria entre o Exército, o MEC, a Força Aérea e a Secretaria de Educação do Estado, financiados pelo FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, permitiu a expansão do projeto para o atendimento da sociedade civil, passando de 54 alunos para 298 já matriculados.
Pergunta: Como funciona o sistema informatizado de gestão escolar?
Mônica: O SIGEAN on line é um Sistema desenvolvido para a Secretaria de Educação do estado que tem como objetivo otimizar recursos e dar suporte computacional às necessidades escolares da capital e do interior. A utilização do sistema garante maior controle e rapidez no cadastro de alunos, na emissão de documentos, além de permitir a coleta e processamento de dados específicos sobre a vida escolar dos estudantes e servidores da Rede Estadual de Ensino nos municípios de Autazes, Coari, Eirunepé, Itacoatiara, Parintins e Rio Preto da Eva.


