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A Escola Digital Integrada e o Compartilhamento do Conhecimento

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A ESCOLA DIGITAL INTEGRADA E O COMPARTILHAMENTO DO CONHECIMENTO

Prof. Emir José Suaiden
Professor do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília.
emir@unb.br

Profa. Cecília Leite
Doutora em Ciência da Informação.
Embrapa.
cleite@sct.embrapa.br

Na década de 90, com o surgimento da sociedade da informação, os países em desenvolvimento passaram a encontrar muitas barreiras para a implantação da referida sociedade. Diferentemente dos países considerados desenvolvidos, onde parte preponderante da população tem o hábito de leitura e onde a indústria editorial é forte, os países em desenvolvimento passaram a enfrentar os problemas provenientes da exclusão social cujas marcas mais profundas são o analfabetismo, a desnutrição infantil, o letramento e a violência.

Em um modelo de desenvolvimento marcado pelas desigualdades fica claro que a revolução tecnológica poderá agravar ainda mais a exclusão social se não for adequadamente conduzida. Enviar computadores para as populações marginalizadas, sem uma proposta adequada de mediação da informação, com certeza não contribuíra efetivamente para a inclusão de cidadãos na sociedade da informação, nem para a diminuição dos índices de repetência, evasão e fracasso escolar presentes de maneira preponderante na realidade educacional brasileira.

O projeto Escola Digital Integrada é resultado do amadurecimento de mais de 10 anos de pesquisa, apoiada pelo CNPq e pela Universidade de Brasília, na integração da dimensão humana e tecnológica da informação. Essas pesquisas inicialmente tratavam da inclusão social através da leitura. Comprovaram que o acesso não é tão importante quanto à compreensão, ou seja, não é suficiente enviar livros para as escolas, ou implantar bibliotecas que nada significam para as comunidades onde estão inseridas, especialmente quando se trata de populações carentes, pois a informação que circula basicamente é a informação oral. Onde não há uma tradição cultural de leitura a introdução do livro deve ser realizada através de profissionais especializados na mediação da leitura. Da mesma forma a inclusão digital só será possível com a mediação da informação que possibilita a implementação de metodologias adequadas, que produzem indicadores de impacto social e que agregam valor à informação, transformando-a em conhecimento.

Como parte do processo de pesquisa, foi implantada uma experiência piloto da Escola Digital Integrada no Centro Educacional Gisno, uma escola da rede oficial de ensino do Distrito Federal que congrega moradores de 17 regiões administrativas do DF, atende 2.780 alunos, conta com 150 professores e 30 funcionários. A primeira ação nessa etapa da pesquisa priorizou a sensibilização da diretoria e corpo docente. Foi demonstrado que nessa nova sociedade é fundamental preparar conteúdos adequados e interdisciplinares e para isso as novas tecnologias aliadas à investigação bibliográfica são preponderantes na disseminação da informação e do conhecimento. A nova era exige um novo modelo de pesquisa. Já não podemos aceitar os modelos tradicionais de copias de dicionários e enciclopédias, prática comum no meio estudantil, muito menos os famosos corte cola, já presentes na pesquisa virtual, dos próprios textos da Internet.

Esse trabalho que inicialmente foi desenvolvido em escola urbana, hoje, em parceria com a Embrapa Informação Tecnológica, Ministério das Comunicações/ Programa GESAC, Instituto de Tecnologia da Informação da Presidência da República e Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico do Distrito Federal chega ao campo e aos Centros Comunitários Rurais. A Escola Digital Integrada para Educação da Família Rural, soma a todo trabalho de mediação, os conteúdos técnicos da Embrapa, voltados para a comunidade que atende e um programa de rádio para levar a informação aonde o radinho de pilha é a única tecnologia disponível.

Após um ano de implantação do projeto já podemos comprovar cientificamente a importância de trabalhar com metodologias adequadas associadas ao processo de alfabetização da informação na disseminação do conhecimento. Informação e conhecimento são vitais para a construção de uma nova sociedade e comprovam que a melhor forma de combater as desigualdades é possibilitar a efetiva inclusão de todo cidadão na sociedade da informação.